Posted by Danilo Augusto | Posted in | Posted on 13:44
O Amor chegou e minhas mãos estavam cheias
Saudei-o e disse: “Chegaste, pois me contam os pássaros
O cansaço enlaçou o rancor e partiu.
Espera-me, não te vás. Tu sabes ser impossível voltar, agora que te vi
Irei dedicar minha vida a ti, descobrir a ti, fazer entregar-se
Pois me anuncias algo que não sei o que é, mas sei ser a própria vida e o próprio Deus
Não vás embora, amar-te-ei a cada segundo, a cada aurora beijarei tua face e tu me mostrarás um pouco do que trazes”]
O Amor sussurrou por trás dos meus ouvidos : “Tu nunca me verás.
Quando te achares em minha companhia estarás sozinho. Não cheguei a ti
Nem te entregarei nada, portanto nada há de me dever."
Então me esvaziei do que havia para tocá-lo :“venho furar teus olhos” ele me disse
E minhas mãos escorregaram no vazio: “venho abrir teus olhos” ele disse
“Não entendo o que dizes se não me dizes com palavras”, retruquei. E já começava a chorar
“Anuncia-me a morte com carinho. Mas não te entregas. Não deixa-me contê-lo ou nomeá-lo, embora o haja visto e estendido a mão a ti”
“Não me vistes”, respondeu, ”Estavas apenas distraído. E por haver-me encontrado, me há perdido.]
Por haver-me visto, sabes impossível ver a mim. Nada conhece a si mesmo.
A treva dirá – Eu não minto. E a luz dirá- Nada tenho a esconder.
Crês ouvir-me e julgas entender-me, mas logo entenderás que nada ouviste.
A não ser o futuro da tua boca que morre ou aceita, o que se assemelha.
Quando disseres com tua própria boca, terás entendido e nada mais haverá para entender.
Quando abrires os olhos me encontrará e os olhos já serão inúteis, pois verás a si mesmo.
E dirás‘irei morrer e é assim, pois do Amor a Morte nasce e da Morte o Amor nasce em nós’
E dirás ‘eu aceito a morte” mas estarás dizendo ‘eu amo’.”
E o Amor se calou como toda a relva sobre o solo.
Danilo



